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Título: Por uma leitura decolonial das memórias e dos territórios das margens de Ouro Preto : o bairro Vila Aparecida entre o visível e o esquecido no planejamento urbano local.
Autor(es): Lana, Júlia Maria Rodrigues
Orientador(es): Mascarenhas, Giselle Oliveira
Membros da banca: Mascarenhas, Giselle Oliveira
Passos, Flora d'el Rei Lopes
Melo, Estefânia Momm de
Palavras-chave: Ouro Preto - MG
Vila Aparecida- Ouro Preto - MG
Decolonialidade
Territórios populares
Direito à cidade
Data do documento: 2026
Referência: LANA, Júlia Maria Rodrigues. Por uma leitura decolonial das memórias e dos territórios das margens de Ouro Preto : a Vila Aparecida entre o visível e o esquecido no planejamento urbano local. 2026. 77 f. Monografia (Graduação em Arquitetura e Urbanismo) - Escola de Minas, Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2026.
Resumo: A modernização do espaço urbano revela uma contradição fundamental: ao mesmo tempo em que impulsiona o desenvolvimento econômico, aprofunda a segregação sócio-espacial. Em Ouro Preto, a lógica imobiliária especulativa se impõe sobre o perímetro histórico tombado, enquanto mantém as periferias — como as encostas das serras — à margem da infraestrutura urbana e do patrimônio oficialmente reconhecido ou institucionalizado. Essa segregação reflete a colonialidade do poder (Quijano, 2007), perpetuando uma narrativa histórica que tende a desconsiderar, até o presente, as experiências e memórias de comunidades subalternizadas. A memória espacial de Ouro Preto permanece atrelada a um modelo eurocêntrico, na qual sua arquitetura monumental sustenta um imaginário que se sobrepõe a outras práticas culturais e formas dissidentes de produção territorial. Nesse contexto, a disputa pelo direito à memória se manifesta na representação e no controle sobre o espaço urbano. A exclusão das periferias evidencia-se tanto na carência de estudos dedicados a bairros historicamente distanciados dos núcleos centrais de Ouro Preto quanto no persistente afastamento desses territórios em relação ao tecido urbano reconhecido institucionalmente. Esse processo é exemplificado pela formação da Vila Aparecida, território de especial interesse desta monografia. A criação, em 1978, da associação de moradores local, a UNIVILA, evidencia que a organização popular e a resistência estiveram presentes desde o início da consolidação do bairro, expressando uma vontade coletiva de inclusão e de acesso aos direitos urbanos. Entretanto, ainda que a preservação do patrimônio seja fundamental para a preservação histórica do local, ela não deve se opor à construção de uma cidade justa e inclusiva. Assim, este trabalho propõe uma reflexão crítica sobre o território patrimonializado, reconhecendo Ouro Preto não como um cenário estático ou mero pano de fundo, mas como um espaço dinâmico, atravessado por vivências, disputas e relações de pertencimento.
Resumo em outra língua: The modernization of urban space reveals a fundamental contradiction: while it fosters economic development, it also deepens socio-spatial segregation. In Ouro Preto, speculative real estate dynamics prevail within the protected historic district, while peripheral areas—such as the surrounding hillsides—remain marginalized from urban infrastructure and officially recognized or institutionalized heritage. This segregation reflects the coloniality of power (Quijano, 2007), perpetuating a historical narrative that continues to disregard the experiences and memories of subalternized communities. Ouro Preto’s spatial memory remains tied to a Eurocentric model in which its monumental architecture sustains an imaginary that overshadows other cultural practices and alternative forms of territorial production. In this context, the struggle for the right to memory is expressed through the representation and control of urban space. The exclusion of peripheral neighborhoods is evident both in the scarcity of studies devoted to areas historically detached from Ouro Preto’s central districts and in the persistent marginalization of these territories from the institutionally recognized urban fabric. This process is exemplified by the formation of Vila Aparecida, the primary case study of this monograph. The establishment of the neighborhood association, UNIVILA, in 1978 demonstrates that grassroots organization and collective resistance have been present since the early consolidation of the neighborhood, expressing a shared demand for inclusion and access to urban rights. However, heritage preservation should not stand in opposition to the construction of a just and inclusive city. Accordingly, this study proposes a critical reflection on the heritage landscape, recognizing Ouro Preto not as a static setting or a mere backdrop, but as a dynamic urban space shaped by lived experiences, conflicts, and relationships of belonging.
URI: http://www.monografias.ufop.br/handle/35400000/9525
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