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Título: Poesia e estilo na apologia de Blaise Pascal.
Autor(es): Oliveira, Ana Luiza Ricardo
Orientador(es): Freitas, Romero Alves
Membros da banca: Freitas, Romero Alves
Pimenta Neto, Olímpio José
Souza, Guiomar Maria de Grammont Machado de Araújo
Palavras-chave: Pascal, Blaise, 1623-1662 - Estilo literário
Pascal, Blaise, 1623- 1662 - Poesia
Igreja Católica - Apologética
Data do documento: 2026
Referência: OLIVEIRA, Ana Luiza Ricardo. Poesia e estilo na apologia de Blaise Pascal. 2026. 22 f. Monografia (Graduação em Filosofia) - Instituto de Filosofia, Arte e Cultura, Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2026.
Resumo: A partir de uma leitura dos Pensamentos de Blaise Pascal (1623-1662), o presente artigo elabora reflexões acerca do uso feito pelo filósofo da linguagem poética e de suas ideias sobre este tópico. Para tanto, entrelaçamos à estilística de Pascal, admirada mesmo por seus maiores detratores, a célebre crítica feita por ele aos poetas. Levando em consideração a influência que a época do autor exerceu sobre sua escrita, buscamos ressaltar a impossibilidade de enquadrar Pascal, de modo completo, em qualquer dos movimentos estéticos de seu tempo: seja o classicismo francês ou o barroco. Embora possua elementos de ambas as correntes, o filósofo critica o exagero vaidoso próprio do barroco e contraria o racionalismo fundamental ao classicismo francês. A partir disso, tratamos do próprio pensamento de Pascal sobre a impossibilidade de termos um modelo poético verdadeiro (e, portanto, que agrade a todos por sua beleza). Quando ligamos essa impossibilidade à nossa incapacidade, descrita no opúsculo Da arte de persuadir, de descrever as regras da verdadeira maneira de agradar, nota-se um laço entre essa desproporcionalidade do humano em relação à tarefa mencionada e a apologia cristã de Pascal. Se esta desproporção é, portanto, outra face da miséria pós-Queda, vê-se que a tarefa do apologista estará envolvida num embaraço caso ele busque converter os infiéis por meio de um modelo poético falso, seja ele qual for. Nesse sentido, Pascal, a partir de longas reflexões sobre o que deve ser a escrita de uma apologia, encontra nos escritos bíblicos um estilo adequado para a escrita daquilo que é próprio à ordem da caridade. Buscamos, então, compreender melhor a escrita bíblica a partir dos textos de Erich Auerbach (1892-1957), importante filólogo alemão, focando no sermo humilis, isto é, na articulação dos estilos baixo e alto na Bíblia. Para concluir, analisamos brevemente o impacto desta estilística bíblica, principalmente das poesias hebraicas, em Pascal, para tratarmos, por fim, da posição que tal texto bíblico poético ocupa dentro da teoria apologética pascaliana. Tendo a função de inflamar (échauffer) o coração do infiel, mostramos que essa retórica de um Deus condescendente movimenta as paixões humanas, desorientadas pelo pecado, e as redireciona ao sagrado. Sendo essa exaltação suficiente ou não para uma conversão, concluímos que o estilo de Pascal, seu uso de versos e sua hostilidade frente à poesia, se destacam devido ao brilhante entrelaçamento de características de diversas tendências, que, reunidas sob um pensador único, tomam nova cor e vitalidade para realçar a insuficiência e a tragicidade próprias do ser humano.
Resumo em outra língua: Based on a reading of Blaise Pascal’s Pensées, this article reflects on the philosopher’s use of poetic language and his ideas regarding this topic. To this end, we intertwine Pascal's stylistics, admired even by his greatest detractors, with his famous critique of poets. Considering the influence of the author's era on his writing, we seek to emphasize the impossibility of fully classifying Pascal within any of the aesthetic movements of his time, whether it is the French classicism or the baroque. Although his work contains elements of both currents, the philosopher critiques the vain exaggeration inherent in the baroque and opposes the fundamental rationalism of French classicism. In the sequence, we address Pascal's own thought regarding the impossibility of establishing a true poetic model (one that would thus please everyone through its beauty). When linking this impossibility to our incapacity, described in the short opuscule De L’Art de persuader, to define the rules of the true way of pleasing, a connection emerges between this human disproportion regarding the aforementioned task and Pascal’s Christian apologetics. If this disproportion is, therefore, another facet of post-Fall misery, it becomes evident that the apologist's task faces an entanglement should he seek to convert the unfaithful through a false poetic model, whatever it may be. In this sense, through extensive reflections on what the writing of a Christian apologetics should entail, Pascal finds within the biblical scriptures a style better suited for the writing of that which belongs to the order of charity. We thus seek to better understand biblical writing through the texts of Erich Auerbach (1892–1957), a prominent German philologist, focusing on the sermo humilis, that is, the articulation of low and high styles in the Bible. To conclude, we briefly analyze the impact of this biblical stylistics, particularly Hebrew poetry, on Pascal, addressing the position that such poetic biblical text occupies within the Pascalian apologetic theory. With the task to inflame (échauffer) the heart of the unfaithful, we indicate that this rhetoric of a condescending God stirs human passions, disoriented by sin, and redirects them toward the sacred. Whether or not this exaltation suffices for conversion, we conclude that Pascal's style, his use of verses, and his hostility toward poetry stand out due to the brilliant intertwining of characteristics from diverse tendencies, that, brought together under a single thinker, assume new color and vitality, highlighting the insufficiency and tragedy inherent in the human condition.
URI: http://www.monografias.ufop.br/handle/35400000/9799
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