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Title: Avaliação da indução de memória imunológica e do efeito protetor conferido por vacina quimérica contra a leishmaniose visceral.
Authors: Reis, Thiago Pimenta
metadata.dc.contributor.advisor: Reis, Alexandre Barbosa
Ostolin, Thais Lopes Valentim Di Paschoale
metadata.dc.contributor.referee: Cardoso, Jamille Mirelle de Oliveira
Silva, Débora Faria
Reis, Alexandre Barbosa
Ostolin, Thais Lopes Valentim Di Paschoale
Keywords: Leishmaniose visceral
Vacinas
Leishmania infantum
Baço
Memória imunológica
Issue Date: 2026
Citation: REIS, Thiago Pimenta. Vacinas contra a leishmaniose visceral: avanços e perspectivas no desenvolvimento de imunizantes. 2026. 56 f. Monografia (Graduação em Farmácia) – Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2026.
Abstract: A leishmaniose visceral (LV) é uma doença tropical negligenciada de caráter sistêmico, causada principalmente por Leishmania infantum, que afeta principalmente órgãos do sistema mononuclear fagocítico, como fígado e baço. O baço desempenha papel central tanto na resposta imune quanto na persistência do parasito, sendo um importante alvo para a avaliação da eficácia de estratégias vacinais. Diante da limitação das medidas atuais de controle e da ausência de vacinas eficazes para uso em saúde pública, o presente estudo avaliou o potencial imunogênico e a eficácia vacinal de uma proteína quimérica (Qui-A) associada ao adjuvante Hiltonol® (Poly ICLC) em um modelo murino contra a LV. Camundongos fêmeas, da linhagem BALB/c, foram divididos nos seguintes grupos experimentais: (i) Salina: receberam solução salina estéril (NaCl 0,9%); (ii) Hiltonol®: receberam 50 μg do adjuvante Poly ICLC; (iii) Quimera A: receberam 20 μg da proteína quimérica A; e (iv) Qui-A/Hiltonol®: receberam 20 μg da proteína quimérica A em combinação com 50 μg do adjuvante Poly ICLC. O protocolo de imunização consistiu em três doses administradas com intervalo de quinze dias (T0, T14 e T28), por via subcutânea. Quinze dias após a terceira dose (T42), os camundongos foram desafiados por via intravenosa, via plexo retro-orbital, com Formas promastigotas de L. infantum (cepa MCAN/BR/2008/OP46). Decorridos 45 dias (T87) do desafio, os animais foram submetidos à eutanásia por sobredose anestésica. A resposta imune foi avaliada por citometria de fluxo multiparamétrica, com ênfase na geração de células T de memória central e efetora, bem como na quantificação da carga parasitária por PCR em tempo real (qPCR) no compartimento esplênico. Os resultados demonstraram que a imunização com Qui-A/Hiltonol® aumentou significativamente a frequência de células T de memória, especialmente células T CD4+ e CD8+ de memória central e células T CD4+ de memória efetora. Adicionalmente, os camundongos imunizados com Quimera A isolada e Quimera A/Hiltonol® apresentaram redução da carga parasitária em 64,5% e 77,6%, respectivamente, em relação àqueles que foram inoculados com solução salina estéril. Por fim, os coeficientes de Pearson revelaram correlações negativas moderadas entre o parasitismo esplênico e as células T CD4+ e CD8+ de memória efetora e T CD8+ de memória central. Além disso, destaca-se a correlação negativa forte com as células T de memória central CD4+. Os resultados do presente estudo indicam que o protocolo de imunização foi capaz de promover proteção contra Leishmania, evidenciada pela redução do parasitismo esplênico, possivelmente associada à indução de células T de memória, especialmente células T de memória central. A predominância desse perfil de memória sugere a formação de um reservatório imunológico capaz de sustentar respostas efetoras eficazes frente à reinfecção. Ainda, cabe salientar que estratégias que favorecem respostas celulares funcionais, sem exacerbar mecanismos regulatórios, são essenciais para o controle da infecção.
metadata.dc.description.abstracten: Visceral leishmaniasis (VL) is a systemic neglected tropical disease caused by Leishmania infantum, primarily affecting organs of the mononuclear phagocyte system, such as the liver and spleen. The spleen plays a central role in both immune responses and parasite persistence, making it a key target for evaluating the efficacy of vaccine strategies. Given the limitations of current control measures and the absence of effective vaccines for public health use, the present study investigated the immunogenic potential and protective efficacy of a chimeric protein (Qui-A) combined with the adjuvant Hiltonol® (Poly ICLC) in a murine model of VL. Female BALB/c mice were allocated into the following experimental groups: (i) Saline: received sterile saline solution (0.9% NaCl); (ii) Hiltonol®: received 50 μg of the Poly ICLC adjuvant; (iii) Chimera A: received 20 μg of chimeric protein A; and (iv) Qui-A/Hiltonol®: received 20 μg of chimeric protein A in combination with 50 μg of Poly ICLC. The immunization protocol consisted of three subcutaneous doses administered at 15-day intervals (T0, T14, and T28). Fifteen days after the third dose (T42), mice were intravenously challenged via the retro-orbital plexus with promastigote forms of L. infantum strain MCAN/BR/2008/OP46. Forty-five days post-challenge (T87), animals were euthanized by anesthetic overdose. Immune responses were assessed by multiparametric flow cytometry, with emphasis on the generation of central and effector memory T cells, and parasite load was quantified in the spleen by real-time PCR (qPCR). The results demonstrated that immunization with Qui-A/Hiltonol® significantly increased the frequency of memory T cells, particularly central memory CD4+ and CD8+ T cells and effector memory CD4+ T cells. In addition, mice immunized with Chimera A alone or Chimera A/Hiltonol® exhibited reductions of 64.5% and 77.6%, respectively, in splenic parasite burden compared to the saline group. Pearson correlation analyses revealed moderate negative correlations between splenic parasitism and effector memory CD4+ and CD8+ T cells, as well as central memory CD8+ T cells, and a strong negative correlation with central memory CD4+ T cells. Overall, these findings indicate that the immunization protocol conferred protection against Leishmania, as evidenced by reduced splenic parasite burden, likely associated with the induction of memory T cell responses, particularly central memory T cells. The predominance of this memory profile suggests the establishment of an immunological reservoir capable of sustaining effective effector responses upon reinfection. Furthermore, strategies that promote functional cellular responses without exacerbating regulatory mechanisms appear to be essential for infection control.
URI: http://www.monografias.ufop.br/handle/35400000/9490
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