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Título: A evolução do pix como meio de pagamento no Brasil : aspectos históricos, institucionais e evidências empíricas.
Autor(es): Souza, Samuel Felipe Nascimento Soares de
Orientador(es): Barros, Thiago de Sousa
Membros da banca: Barros, Thiago de Sousa
Nogueira, Marcelo Aparecido Cabral
Mendes, Chrystian Soares
Palavras-chave: Pix
Demanda por moeda
Cointegração
Modelo de correção de erros
Causalidade de Granger
Data do documento: 2026
Referência: SOUZA, Samuel Felipe Nascimento Soares de. A evolução do pix como meio de pagamento no Brasil : aspectos históricos, institucionais e evidências empíricas. 2026. 70 f. Monografia (Graduação em Ciências Econômicas) - Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, 2026.
Resumo: O presente trabalho analisa a evolução do Pix como meio de pagamento no Brasil, combinando abordagem histórico-institucional com análise empírica baseada em dados oficiais extraídos diretamente das interfaces de dados abertos do Banco Central do Brasil (BCB) — o Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) e o portal Olinda de dados abertos. Para este efeito, este estudo examina o processo de concepção, planejamento e implementação desse novo sistema, situando-o no contexto internacional de modernização das infraestruturas de pagamentos instantâneos, e amplia o referencial teórico com os modelos de demanda transacional por moeda de Baumol (1952) e Tobin (1956), a economia de redes e mercados de dois lados (Katz; Shapiro, 1985; Rochet; Tirole, 2003) e a literatura sobre o custo social do numerário (Rogoff, 2016). No plano empírico, investiga-se a hipótese de que o Pix atua como substituto tecnológico do papel-moeda em poder do público (PMPP), por meio de um modelo de demanda por moeda em especificação log-log, complementado por testes de raiz unitária (ADF, KPSS, Zivot-Andrews), cointegração (Johansen e ARDL Bounds Test), Modelo de Correção de Erros (ECM), Vetores Autorregressivos (VAR) com testes de causalidade de Granger, teste de quebra estrutural endógena de Quandt-Andrews e regressão em janelas móveis, com dados mensais de janeiro de 2021 a dezembro de 2025 (n = 60). A análise descritiva evidencia crescimento de 744,21% no número de transações e de 578,68% no volume financeiro entre 2021 e 2025, além de mudança expressiva no mix transacional, com a modalidade P2B aproximando-se da P2P como principal uso do sistema. Para além disso, a regressão em níveis indica associação positiva entre Pix e PMPP (𝛽₁ = 0,032; 𝑝 = 0,029), mas diagnósticos residuais insatisfatórios comprometem sua confiabilidade. Especificações mais robustas oferecem uma leitura mista: o Modelo de Correção de Erros reproduz associação de curto prazo positiva (0,098; p = 0,019) e o teste de Granger indica que o PMPP antecede o Pix, e não o inverso; já o ARDL Bounds Test, mais adequado à integração mista das séries, estima coeficiente de longo prazo negativo e marginalmente significante (−0,112; p = 0,051), evidência qualificadora em favor da substituição. Em contraste, o volume do Pix correlaciona-se fortemente com a queda nos saques em caixas eletrônicos (r = −0,91), indicando que a substituição do numerário ocorre sobretudo no fluxo de retiradas. Por fim, o Teste de Chow identificou quebra estrutural em dezembro de 2021 (F = 36,96; p < 0,001), coincidente com o Pix Saque e Troco. Portanto, os resultados dessa pesquisa oferecem leitura mais matizada da relação entre pagamentos instantâneos e demanda por moeda do que a hipótese de substituição direta sugere, com implicações para a política monetária, a gestão do numerário e a inclusão financeira no Brasil.
Resumo em outra língua: This study analyzes the evolution of Pix as a payment method in Brazil, combining a historical-institutional approach with empirical analysis based on official data retrieved directly from the Central Bank of Brazil's (BCB) open-data interfaces — the Time Series Management System (SGS) and the Olinda open-data portal. To this end, the study examines the conception, planning, and implementation of this new system, situating it within the international context of instant-payment infrastructure modernization, and extends the theoretical framework with the Baumol (1952) and Tobin (1956) transactional money-demand models, network and two-sided market economics (Katz; Shapiro, 1985; Rochet; Tirole, 2003), and the literature on the social cost of cash (Rogoff, 2016). Empirically, this research tests the hypothesis that Pix operates as a technological substitute for currency held by the public (PMPP), through a log-log money-demand model complemented by unit-root tests (ADF, KPSS, Zivot-Andrews), cointegration tests (Johansen and the ARDL Bounds Test), an Error Correction Model (ECM), a Vector Autoregression (VAR) with Granger causality tests, a Quandt-Andrews endogenous structural-break test, and rolling-window regressions, using monthly data from January 2021 to December 2025 (n = 60). Descriptive analysis reveals 744.21% growth in transaction volume and 578.68% growth in financial value between 2021 and 2025, alongside a marked shift in the transactional mix, with P2B approaching P2P as the system's leading use case. Furthermore, the levels regression shows a positive association between Pix and PMPP (𝛽₁ = 0.032; 𝑝 = 0.029), but poor residual diagnostics undermine its reliability. More robust specifications offer a mixed picture: the Error Correction Model reproduces a positive short-run association (0.098; p = 0.019) and the Granger test shows that PMPP precedes Pix, not the reverse; the ARDL Bounds Test, more appropriate given the series' mixed integration order, estimates a negative and marginally significant long-run coefficient (−0.112; p = 0.051), qualifying evidence in favor of substitution. By contrast, Pix volume correlates strongly with the decline in ATM cash withdrawals (r = −0.91), indicating that currency substitution occurs mainly in withdrawal flows. Lastly, the Chow test identified a structural break in December 2021 (F = 36.96; p < 0.001), coinciding with the Pix Saque and Pix Troco rollout. Therefore, the results of this research offer a more nuanced reading of the relationship between instant payments and money demand than a direct substitution hypothesis would suggest, with implications for monetary policy, cash management, and financial inclusion in Brazil.
URI: http://www.monografias.ufop.br/handle/35400000/9625
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