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Título: Violência racial na escrita de Carolina Maria de Jesus : uma análise discursiva da obra Quarto de despejo : diário de uma favelada.
Autor(es): Silva, Fernanda de Oliveira
Orientador(es): Camargo, Gabriella Cristina Vaz
Membros da banca: Camargo, Gabriella Cristina Vaz
Toffolo, Andreia Chagas Rocha
Silva, Jhuliane Evelyn da
Palavras-chave: Violências raciais
Discurso
Carolina Maria de Jesus
Data do documento: 2026
Referência: SILVA, Fernanda de Oliveira. Violência racial na escrita de Carolina Maria de Jesus : uma análise discursiva da obra Quarto de despejo : diário de uma favelada. 2026. 28 f. Monografia (Graduação em Letras) - Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, 2026.
Resumo: Este Trabalho de Conclusão de Curso investiga as violências raciais que constituem o discurso e a vida de Carolina Maria de Jesus na obra "Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada". As relações entre o racismo e a escrita literária travadas nos textos da autora são ponto de partida, compreendendo que a língua não é neutra, reflete relações de poder onde marginaliza grupos e também lhe dá poder de voz e de denúncia. O estudo fundamenta-se na perspectiva bakhtiniana da linguagem, especialmente, a partir de Bakhtin (2016) e de estudiosos como Faraco (2009), que compreendem o discurso como uma prática social e histórica, refletindo as desigualdades e posições sociais dos sujeitos. A pesquisa busca analisar como o racismo e a violência racial se materializam nos enunciados da autora, considerando sua condição de mulher negra, pobre e mãe solo na favela do Canindé-SP. Para fundamentar essa análise recorre-se aos conceitos de Silvio Almeida (2019), à discussão sobre desumanização de Ângela Davis (2016) e ao "pacto narcísico da branquitude" proposto por Cida Bento (2022). A análise dos dez enunciados selecionados revelou que as violências raciais se manifestam na obra principalmente por meio da naturalização da miséria, da fome e da exaustão, associando a negritude à dor e à sobrevivência precária. Carolina Maria de Jesus não apenas vivencia a opressão, mas a nomeia e a denuncia, transformando sua escrita em instrumento de resistência. Os resultados confirmam a hipótese inicial de que o discurso sobre violência racial se materializa nos enunciados da autora, expondo as desigualdades estruturais do Brasil e reafirmando o papel político da literatura como espaço de denúncia e de reivindicação de humanidade para corpos historicamente marginalizados.
Resumo em outra língua: This undergraduate thesis investigates the racial violence that permeates the discourse and life of Carolina Maria de Jesus in her work Child of the Dark: The Diary of Carolina Maria de Jesus. The relationships between racism and literary writing in the author's texts serve as a starting point, understanding that language is not neutral and reflects power relations that marginalize groups while also giving them the power to voice their opinions and to denunciate. The study is grounded in a Bakhtinian perspective of language, particularly drawing on Bakhtin (2016) and Faraco (2009), which understands the discourse as a social and historical practice that reflects inequalities and the social positions of subjects. The research aims to analyze how racism and racial violence materialize in the author's utterances, considering her condition as a Black woman, underprivileged, and single mother in the Canindé favela in São Paulo. To support this analysis, the thesis draws on the concepts of Silvio Almeida (2019), Ângela Davis's (2016) discussion on dehumanization, and the "narcissistic pact of whiteness" proposed by Cida Bento (2022).
URI: http://www.monografias.ufop.br/handle/35400000/9622
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