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Título: A paixão humana em Dido no livro IV da Eneida de Virgílio : mito e história na representação dos ideais femininos no início do Principado.
Autor(es): Profeta, Franciele Aparecida Felipe
Orientador(es): Joly, Fábio Duarte
Membros da banca: Joly, Fábio Duarte
Agnolon, Alexandre
Palavras-chave: História antiga na literatura
Mulheres - condições sociais
Virtudes - mulheres
Literatura e sociedade
Data do documento: 2026
Referência: PROFETA, Franciele Aparecida Felipe. A paixão humana em Dido no livro IV da Eneida de Virgílio: mito e história na representação dos ideais femininos no início do Principado. 2026. 55 f. Monografia (Graduação em História) - Instituto de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, 2026.
Resumo: Este trabalho analisa a figura de Dido no Livro IV da Eneida, de Virgílio, com o objetivo de compreender como a representação da paixão feminina se articula aos ideais de virtude, poder e autocontrole associados às mulheres da elite romana no contexto da formação do Império sob Augusto. Parte-se da compreensão de que a Eneida, embora seja uma obra literária, dialoga com valores morais, políticos e culturais do período de sua produção, permitindo refletir sobre concepções contemporâneas acerca do feminino e sobre os limites de atuação das mulheres no exercício do poder. A metodologia consiste na análise literária do episódio de Dido, articulada à contextualização histórica do Principado augustano e ao diálogo com a bibliografia historiográfica e teórica sobre gênero, virtude, paixões e representações femininas. A análise demonstra que Dido é inicialmente construída como modelo de liderança e ideal de viuvez, mas passa a ser dominada pela paixão amorosa, em razão da intervenção divina, o que a conduz à perda do autocontrole, ao abandono de suas funções políticas e à morte trágica. Inserida no contexto da Roma Antiga, no qual concepções filosóficas tendiam a associar as mulheres ao espaço privado e os homens ao espaço público, sua trajetória mobiliza discursos que vinculam o feminino ao excesso emocional e à desmedida, em contraste com ideais de moderação e racionalidade atribuídos ao masculino. Conclui-se que Dido não deve ser interpretada como reflexo histórico de uma mulher real, mas como uma construção literária que condensa discursos ideológicos sobre gênero, paixão e poder, contribuindo para a compreensão do imaginário moral augustano e dos ideais femininos da elite romana, especialmente quando analisada em paralelo com figuras históricas como Agripina Menor e Lívia Drusila, bem como de sua permanência nas representações culturais posteriores, na literatura e nas artes visuais.
Resumo em outra língua: This work analyzes the figure of Dido in Book IV of Virgil's Aeneid, aiming to understand how the representation of female passion is articulated with the ideals of virtue, power, and self-control associated with elite Roman women in the context of the formation of the Empire under Augustus. It starts from the understanding that the Aeneid, although a literary work, engages with the moral, political, and cultural values of its period, allowing for reflection on contemporary conceptions of femininity and the limits of women's role in exercising power. The methodology consists of a literary analysis of the Dido episode, articulated with the historical context of the Augustan Principate and a dialogue with historiographical and theoretical bibliography on gender, virtue, passions, and female representations. The analysis demonstrates that Dido is initially constructed as a model of leadership and an ideal of widowhood, but becomes dominated by romantic passion due to divine intervention, leading to a loss of self-control, the abandonment of her political functions, and a tragic death. Inserted within the context of Ancient Rome, no philosophical conception tends to associate women with the private sphere and men with the public sphere; her trajectory mobilizes discourses that link the feminine to emotional excess and immoderation, in contrast to ideals of moderation and rationality attributed to the masculine. It is concluded that Dido should not be interpreted as a historical reflection of a real woman, but as a literary construction that condenses ideological discourses on gender, passion, and power, contributing to the understanding of the Augustan moral imaginary and the feminine ideals of the Roman elite, especially evidenced when in parallel with historical figures such as Agrippina the Younger and Livia Drusilla, as well as its permanence in later cultural representations, in literature and visual arts.
URI: http://www.monografias.ufop.br/handle/35400000/9336
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